Sr. Smiles e Geni na Escócia

No fundo, viajar é voltar pra casa

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Smiles de volta às origens

Foram dias inesquecíveis, visitando a Escócia. De tudo o que vi por lá, nada me causou emoção mais profunda que descobrir os passos de um certo Samuel, o homem que há 116 anos marcaria o futuro de milhões de pessoas em todo o mundo, em especial o de minha mãe. Então vamos começar por essa história.

Sempre fui uma pessoa movida a sorrisos (“smiles” em inglês). Mas tudo que minha mãe queria ao batizar seu filho era homenagear o escritor de que tanto gostava, o escocês Samuel Smiles, considerado o pai da autoajuda. Quem poderia imaginar que aquela singela homenagem me levaria um dia à Escócia, sua terra natal e berço do meu nome? Caprichos do destino.

Livro Ajude-se de Samuel Smiles com mensagem da Smiles

Destino: Escócia

O pessoal da Smiles chegou em casa logo depois do almoço numa espaçosa Land Rover, uma das marcas mais amadas pelos escoceses. “Começamos bem!”, pensei. De Santo André ao Aeroporto de Guarulhos, aprendi algumas curiosidades bem interessantes sobre meu próximo destino. Por exemplo, você sabia que...

  • o golfe foi inventado na Escócia há mais ou menos 700 anos?
  • a primeira partida internacional de futebol ocorreu na Escócia (contra a Inglaterra)?
  • o primeiro corpo de bombeiros foi instituído na Escócia?
  • o café onde J. K. Rowling escreveu Harry Potter é o escocês The Elephant House?

Surpresas, do aeroporto ao hotel

No aeroporto me encontrei com o restante da equipe Smiles, que seguiria comigo para a Escócia. Como tínhamos tempo, aproveitamos para jogar um pouco de conversa fora saboreando uns shortbreads (típicos biscoitos escoceses) enquanto aguardávamos o check-in. Então embarcamos. Pouco antes da decolagem, ganhei um tablet com uma playlist de canções escocesas, dicas, filmes e livros para ir me acostumando e aproveitar melhor meu destino logo no primeiro dia.

O check-in foi muito mais fácil do que esperávamos. Foi só informar nossos números de cadastro Smiles, o meu e o da Geni, e pronto. Agora era só fazer escala em Amsterdã pela companhia aérea KLM, parceira da Smiles de primeira linha, elegível para nosso acúmulo de milhas. Só isso garantiu 34.000 milhas (as minhas e as da Geni), que já acumulamos para nossa próxima viagem.

Pousamos em Edimburgo e fomos direto para o hotel. Então outra surpresa: meu “kit de sobrevivência”, feito sob medida pelo pessoal da Smiles: adaptador de tomada, power bank, protetor solar, gorro e cachecol xadrez (que a Geni ajeitou e aprovou), sem falar das malas na cor laranja, exclusivamente confeccionadas para nós.

Tudo arranjado com muito capricho, mas o que mais me tocou foi uma mensagem sobreposta à capa do livro Self-help, de Samuel Smiles: “Quem diria que a busca pela origem de seu nome seria uma linda viagem? Estamos muito felizes de fazer parte dela. Equipe Smiles”. Eu me sentia verdadeiramente pronto (e devidamente emocionado) para enfim começar a jornada de minhas origens. De certa forma, aquela seguramente seria a viagem mais importante da minha vida.

O berço do meu nome

Depois de três dias passeando por Edimburgo, chegamos a Haddington, cidade natal do autor do primeiro de todos os livros de autoajuda (um dos temas prediletos entre os brasileiros). Essa era a parte mais esperada da viagem. Em companhia da Geni e da equipe de filmagem, agora faltava pouco para conhecer as origens do meu nome. Quanta expectativa!

Após inúmeras pistas falsas, lá estava: 62 High Street, o endereço onde viveu Samuel Smiles. Para mim, aquela simples placa era motivo de grande emoção. Era como voltar à casa de um parente distante sobre quem a gente passa a vida ouvindo a respeito. Emocionante pensar que há mais de cem anos o homem que inspirou minha mãe abria as janelas dessa mesma casa.

Por um instante, foi difícil resistir à vontade quase infantil de bater à porta, só para confirmar que se tratava de uma casa de verdade, habitada por gente de verdade. Depois de alguns minutos, parados, decidimos deixar os moradores em paz e seguir com nossa expedição. Consultamos a agenda, era hora de ir ao endereço mais indicado em toda a Escócia para concluir minha busca: o John Gray Centre.

Sr. Smiles em frente a casa do escritor Samuel Smiles

Haddington é a sede administrativa do East Lothian Council, um dos 32 conselhos em que a Escócia está geograficamente dividida. Misto de museu arqueológico, arquivo e biblioteca, o John Gray Centre recebe, na 15 Lodge Street, milhares de turistas de todo o conselho em busca de suas próprias origens.

Ali fomos muito bem recebidos por um de seus funcionários, Bill Wilson, que nos apresentou pessoalmente ao acervo do museu e às raras edições da obra de Samuel. Bill é um homem ao mesmo tempo discreto e caloroso, sempre pronto a ajudar. Mas o motivo de sua imensa simpatia e receptividade é também cultural

Bill Wilson e Sr. Smiles no John Gray

“Um brinde à sua visita!”

Passar a manhã entre as inúmeras fotos, livros, mapas e tesouros pré-históricos nos deixou de barriga roncando. Daí nossa próxima parada: The Waterside Bistro.

Às margens do Rio Tyne, tudo nesse restaurante é pura simpatia. Depois da recepção com flores do campo, colhidas especialmente para a ocasião, degustamos um maravilhoso champagne (“Um brinde à sua visita!” – disse o garçom) e pratos típicos da gastronomia escocesa, como o haggis (bolinho deliciosamente regado com molho de uísque), cordeiro e black pudding (um tipo de “chouriço”) com purê de batatas.

Quanto aos peixes, digamos que o Waterside faz jus ao nome: se você for ao bistrô, não deixe de experimentar um haddock (peixe) frito ou assado, ou um smoked salmon.

Não há uma só palavra capaz de expressar o que a gente ganha ao final de uma viagem como essa. Muito mais que a origem do meu nome, termino minha breve visita a Haddington com paisagens, assuntos e, principalmente, amigos novos. Agora é arrumar as malas e retornar à adorável capital, Edimburgo.

Sr. Smiles e família almoçando no Waterside Bistro

Te vejo lá!

Por: Smiles J. Exel

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